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Walter Murch
An Interview with the Editor of “Cold Mountain”
Por Joe Cellini



Walter Murch standing and editingA epígrafe da primeira novela best-seller de 1997 de Charles Frazier, “Cold Mountain,” é uma quadra do poeta chinês Han-Shan:

Os homens perguntam o caminho para Cold Mountain
Cold Mountain: não há um caminho direto.

Obviamente, o poeta do século VIII nunca se encontrou com o editor de filmes do século XXI Walter Murch, cujo trabalho de 16 meses na edição da versão cinematográfica de “Cold Mountain”, que exigiu uma verdadeira maratona através de mais de meio milhão de pés de seqüências filmadas, que o épico sobre a Guerra Civil Americana gerou um prematuro mais substancial frenesi sobre o Oscar.

A Adaptação do escritor/diretor Anthony Minghella do livro de Frazier cobre a longa e traiçoeira jornada de Inman (Jude Law), um soldado confederado ferido, à medida que ele procura voltar da guerra para sua amada, Ada (Nicole Kidman), na Cold Mountain, onde ela cuida da fazenda de seu falecido pai com a ajuda de um preguiçoso, Ruby (Renée Zellweger).

Murch, cujos créditos incluem “Apocalypse Now” e “O Paciente Inglês,” tem um histórico de pressionar as ferramentas tão vigorosamente quanto ele persegue o corte perfeito. Assim, ele surpreendeu a todos na indústria ao escolher para cortar o “Cold Mountain” — um filme de 80 milhões de dólares — o Final Cut Pro e diversos Power Mac G4 padrão. Para manter o interesse, Murch conduziu o experimento a quase meio mundo de distância, na Romênia rural, onde o filme foi rodado, para capturar a aparência e as emoções da Carolina do Norte no século XIX.

Falamos com Murch sobre essa decisão, como ela funcionou e como ela pode afetar as práticas e expectativas da indústria daqui pra frente.

The Project

Como você foi chamado para trabalhar em “Cold Mountain”?

Anthony Minghella e eu descobrimos o livro quando nós trabalhamos juntos em “O Paciente Inglês,” no fim do qual ele começou a ficar interessado em “Cold Mountain” como um projeto. Ele me convenceu a trabalhar com ele no projeto, mas nesse ínterim ele se envolveu com “O Talentoso Mr. Ripley” (1988), que eu também editei. Finalmente, “Cold Mountain” reapareceu. Ele escreveu o roteiro em 2001, e nós começamos a filmar em julho de 2002.

“When I’m actually assembling a scene, I assemble it as a silent movie. Even if it’s a dialog scene, I lip read what people are saying.”

Você leu o romance antes de ler o roteiro?

Eu li o livro antes de ler o roteiro, que é o meu procedimento normal. Geralmente, tento entrar no mundo do livro/filme tão fundo quanto possível, até mesmo lendo material secundário de pesquisa — coisas que o autor utilizou para ajudá-lo a escrever o livro.

Depois de começar a edição, entretanto, eu deixo tudo isso de lado, e nem mesmo me refiro ao roteiro com muita freqüência — eu apenas reajo à história, imagens e sons que estão na tela em frente de mim.

Você ficava no set durante as filmagens?

Eu prefiro ficar de fora. Eu gosto de ver apenas o que a audiência vê. Na verdade, eu não gosto muito de ser lembrado de como tudo aquilo na verdade foi feito.

The Cut

Quanto tempo levou a edição?

Nós começamos a editar assim que eles começaram a filmar, em meados de julho: portanto, 16 meses.

Você escreveu que normalmente edita imagens e som separadamente. Foi assim em “Cold Mountain”?

Bem, eu criei a minha primeira montagem sem referência ao som. Eu vi tudo com som e fiz anotações detalhadas sobre como o som era. Mas quando eu estou realmente montando uma cena, eu monto como se fosse um filme mudo. Mesmo que seja um diálogo, eu leio nos lábios o que as pessoas estão dizendo. Depois, eu refino as imagens como em um filme mudo e, quando eu sinto que a história está sendo contada como uma série de imagens, então eu aciono todas as trilhas e vejo o que meus cortes produziram.

Em alguns casos, é lógico, está errado. Mas em outros casos eu descubro coisas acidentais que nunca teria descoberto se tivesse ouvido o som desde o início. Por isso, eu ouço esses frutos do acaso e aperfeiçôo as coisas que estão evidentemente erradas.

Próxima página: Meta Estratégias na Edição


Pro/Film

Walter Murch
1. Uma Entrevista com o Editor de “Cold Mountain”
2. Meta Estratégias na Edição
3. O Peso das Imagens
4. Adaptação ao Digital






“Cold Mountain”
Estréia: 13 fevereiro, 2004
Dirigido por Anthony Minghella
Escrito por Charles Frazier (romance) e Anthony Minghella (roteiro)
Cinematografia de John Seale
Edição do filme e mixagem de som de Walter Murch

Elenco
Jude Law: Inman
Nicole Kidman: Ada Monroe
Renée Zellweger: Ruby Thewes



Prêmios
“Cold Mountain” foi nomeado para oito Golden Globe Awards incluindo, na categoria Drama, Melhor Filme, Melhor Ator (Jude Law), Melhor Atriz Coadjuvante (Renée Zellweger), Melhor Diretor e Melhor Roteiro (Anthony Minghella), Melhor Partitura Original e Melhor Som Original.

“Cold Mountain” foi nomeado para sete Oscars incluindo, na categoria, Edção, Ator (Jude Law), Ator Coadjuvante (Renee Zellweger), Fotografia e Musica Original.




Ferramentas do negócio
4 Power Mac G4s com dois processadores
Final Cut Pro
Cinema Tools (anteriormente Film Logic)
DVD Studio Pro
Aurora IgniterRT 311 placas de captura e edição de vídeo (para digitalização em tempo real de 24 qps)
Rorke Galaxy 60 Storage Area Network (SAN) de Fibre Channel, que forneciam aos quatro sistemas em rede 1,2 terabites de armazenamento em disco Seagate



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