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Walter Murch
Meta Strategies in Editing



Jude Law and Nicole Kidman in Cold Mountain

O autor Michael Ondaatje escreve que cada cena para você tem um padrão maior subjacente que rege os seus cortes. Existe um padrão guiando seu trabalho em “Cold Mountain”?

Eu me lembro do Al Pacino dizendo que o que guiava seu desempenho como Michael em “O Poderoso Chefão” era a idéia de um spot de luz imaginário que o perseguia, e ele sempre tentava escapar dele. Por isso eu acredito que não importa em que disciplina — interpretação, edição ou o que quer que seja — essas “metaestratégias” dão a seu trabalho uma profundidade e ressonância adicionais, se você tiver a sorte de as encontrar. E caso o material em si seja capaz de suportá-las, em primeiro lugar.

A audiência não precisa esta consciente delas — na verdade é melhor que não esteja. Isso parece paradoxal: por que gastar esforço am algo que não vai ser diretamente percebido? Isso é provavelmente algo como o efeito dos harmônicos na música. Se um violino toca a nota Dó, nós não estamos conscientes da nota em si, mas há um conjunto de harmônicos que vêm junto com a nota, e são esses harmônicos que dão a cada violino seu tom particular. Eles nos permitem distinguir um oboé de um violino, e até mesmo distinguir Stradivarius de um violino qualquer.

O roteiro de “O Poderoso Chefão” dava a Al Pacino as linhas de diálogo, mas era a “metaestratégia” — aqueles harmônicos — que dizia a ele exatamente como dizer cada diálogo, e com que linguagem corporal.

Uma estratégia com a qual trabalhei em “Cold Mountain” foi a de que Inman tinha sido morto na batalha, e é o seu fantasma — um fantasma que não sabe que está morto — que passa por todas aquelas aventuras ao tentar voltar para casa. É lógico que é contraditório, já que o Inman que nós vemos é um corpo físico que interage com todos que encontra. Mas o “harmônico” daquela idéia paira sobre os cantos de cada cena, informando, de maneira sutil, onde estão os pontos de corte, quais tomadas de reação utilizamos e daí por diante.

“Film — any film — is a kind of visual music: the alternation and development of individual shots being the equivalent of the alternations and development of phrases in music.”

O director Anthony Minghella diz que o filme, como a música, é construído sobre a releitura de temas. Em “Cold Mountain,” o tema é a renovação. Como os espectadores vão ver ou ouvir esse tema no filme?

Não há a menor dúvida de que esse filme — qualquer filme — é um tipo de música visual: a alternância e desenvolvimento de tomadas individuais sendo o equivalente das frases na música. Certamente, o filme é mais visualmente musical do que o teatro, que depende principalmente da palavra falada. Eu acho que essa é uma das razões pelas quais filme e música funcionam tão bem juntos — e às vezes misteriosamente — um com o outro.

Anthony começou como músico durante a adolescência e começo da idade adulta, e eu tenho uma tendência natural para a música por causa do meu envolvimento com som. Por isso “Cold Mountain” pode tender a ser mais “musical” do que alguns outros filmes, nesse sentido, pois Anthony o escreveu e dirigiu, e eu editei o filme e fiz a mixagem final.

Especificamente? Há a repetição visual de imagens refletidas: o filme começa e termina com uma imagem vista através da água, e há momentos cruciais da história em que essas metáforas refletidas aparecem. Depois há as alterações temáticas mais amplas e repetições de humor, crueldade, angústia e amor através do filme. Mais do que isso, são os telespectadores que têm que ver e descobrir.

Próxima página: O Peso das Imagens



Pro/Film

Walter Murch
1. Uma Entrevista com o Editor de “Cold Mountain”
2. Meta Estratégias na Edição
3. O Peso das Imagens
4. Adaptação ao Digital



Escolha cortes de Walter Murch
Caminhos mal-traçados” (The Rain People, 1969), montagem de som e mixagem de regravação
O Poderoso Chefão” (The Godfather, 1972), editor supervisor de som
American Graffiti” (1973), montagem de som e mixagem de regravação
A Conversação” (The Conversation, 1974), edição de som e do filme
Julia” (1977), editor do filme
Apocalypse Now” (1979), editor do filme, design de som e mixagem de regravação; Indicação para o Oscar pela edição de filme; Prêmio Oscar pela edição de som
A Insustentável Leveza do Ser” (The Unbearable Lightness of Being, 1987), editor supervisor do filme
O Paciente Inglês” (The English Patient, 1996), editor do filme e mixagem de regravação; primeiro editor a ganhar Oscars: edição de som e filme, no mesmo filme.
O Toque do Mal” (Touch of Evil, 1998), restauração e edição do filme e do som
O Talentoso Mr. Ripley” (The Talented Mr. Ripley, 1999), edição e mixagem de regravação
Apocalypse Now Redux” (2001), edição do filme e editor e mixagem de regravação



Biografia de Walter Murch
Leia um breve resumo da carreira de Walter Murch (em inglês).



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