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Walter Murch
The Weight of Images



Jude Law in Cold Mountain battle scene

Você comentou sobre como cortar filmes para compressão poética absoluta pode distorcer a estrutura narrativa. Você ficou surpreso com a estrutura final que você criou para “Cold Mountain”?

Eu acho que sim. Estava claro desde o início da leitura do roteiro que haveria desafios interessantes na edição, já que a maior parte do filme tem uma estrutura paralela. Você fica seguindo o personagem Inman viajando através de vastas paisagens tentando chegar em casa, enquanto Ada está lutando na fazenda numa situação desesperadora, portanto há um para trás e para frente contínuo.

Toda vez que você tem uma estrutura paralela, o roteiro te dá dicas de como ela pode ir para frente e para trás, mas você apenas descobre isso quando já tem o filme em mãos. Como as imagens têm um peso completamente diferente do das palavras que descrevem aquela imagem — às vezes mais leve, às vezes mais pesado — você precisa levar esse peso em consideração.

Por isso pode acabar ficando mais tempo com a história de uma pessoa do que o roteiro indicava por causa da leveza dessa imagem e, por outro lado, pode não ficar tanto tempo, por causa do peso da outra história. Essa foi certamente nossa experiência com “O Paciente Inglês”, que tem de alguma forma esse tipo de estrutura de andar de trás para frente.

“We shot and printed 600,000 feet of film, which is about 113 hours of material. The film is 2 hours 30 minutes long, so that’s a 30 or 40 to 1 ratio.”

O outro ponto é que rodamos aproximadamente 600.000 pés de filme, o que dá aproximadamente 113 horas de material. O filme tem 2 horas e 30 minutos de duração, portanto é uma relação de 30 ou 40 para 1. A primeira vez que o editamos ele ficou com mais de 5 horas de duração. Por isso você tem que encontrar formas originais de comprimir a história e encontrar o que possa ser eliminado que não apenas não afete a história, mas, na verdade, a aperfeiçoem, ao colocar em justaposição coisas que anteriormente não estavam. Foi uma orquestração bem complicada, reduzir tudo pela metade.

The Workflow

Como você decidiu editar “Cold Mountain” com Final Cut Pro?

Começando em março de 2002, Sean Cullen, meu assistente, e eu fomos visitar a DigitalFilm Tree, que é uma empresa de pós-produção e design de Ramy Katrib, especializada no Final Cut Pro. Quando dissemos a ele que estávamos interessados em usar o Final Cut na edição de “Cold Mountain,” ele ficou muito entusiasmado. Mas, nós tínhamos algumas dúvidas, já que ele nunca tinha sido usado em projetos dessa escala. Discutimos juntos durante três dias sobre como seria o fluxo de trabalho de “Cold Mountain”.

Sua decisão de usar o Final Cut Pro chocou o mercado. Você ficou nervoso com essa decisão?

Bem, de uma certa maneira saudável, fiquei. Durante os últimos 30 anos ou mais, foi para mim um padrão mergulhar nas novas tecnologias, tanto pelos benefícios que ela pode me trazer diretamente, mas também por que sou muito interessado em sistemas e sobre como eles trabalham em um ambiente criativo. Eu fui um dos primeiros nos EUA a usar as máquinas de edição flatbed no final dos anos sessenta. Depois de ter usado a moviola desde o começo. Naquela época, isso foi visto como uma mudança radical.

Havia diferenças fundamentais entre trabalhar com o Final Cut Pro e outros sistemas com os quais você já tinha trabalhado?

No nível de trabalho cotidiano, ou seja quando eu estava montando uma cena, as diferenças eram triviais. Eu me senti muito confortável com o Final Cut depois de trabalhar com ele por um dia ou dois.

Mas uma das diferenças mais significativas em favor do Final Cut é que ele não é um sistema híbrido software/hardware, é um sistema apenas de software. Isso significa que ele praticamente elimina a tendência natural dos sistemas de edição de gerar gargalos. Isso começou a ser um problema com as flatbeds, que eram significativamente mais caras do que as moviolas. Elas ofereciam vantagens reais, mas a desvantagem era que você não podia simplesmente dizer “vamos comprar mais uma”.

Mas no “Cold Mountain,” nós pudemos ter estações Final Cut Pro, completamente equipadas, por menos do que teríamos gasto em uma estação Avid. E ter quatro estações em um filme é uma mudança significativa em relação ao que normalmente se tem, que são duas. É bom ter um fogão de quatro bocas quando se está preparando um jantar. Você pode usá-las todas ao mesmo tempo. Pode fazer um grande jantar em um fogão de duas bocas, mas tem muito mais trabalho com as panelas.

Além disso, nós pudemos criar o que você chamaria de estações-satélite em quatro laptops equipados com Final Cut, descarregar a mídia para um número de seqüências, e continuar a trabalhar. Portanto, se chegássemos a uma situação onde houvesse de repente uma quantidade enorme de material filmado, seríamos capazes de expandir para até oito estações de trabalho.

Próxima página: Adaptação ao Digital



Pro/Film

Walter Murch
1. Uma Entrevista com o Editor de “Cold Mountain”
2. Meta Estratégias na Edição
3. O Peso das Imagens
4. Adaptação ao Digital



Final Cut Pro — Para viagem
Murch e seu primeiro assistente de edição, Sean Cullen, pediram à consultoria sediada em Hollywood, DigitalFilm Tree, para projetar um fluxo de trabalho digital — ancorado em quatro computadores Power Mac G4 de dois processadores com Final Cut Pro instalado — que funcionasse a meio mundo de distância no Kodak Cinelabs em Bucareste, na Romênia, próximo ao set de filmagens de “Cold Mountain”.

Duas das unidades Power Mac G4 Foram usadas por Murch e Cullen como estações individuais de edição, Enquanto um terceiro foi dedicado a ser uma estação de digitalização para sincronizar as filmagens diárias. O quarto sistema foi usado para exportar arquivos e gravar mídia em DVD. O fluxo de trabalho e o sistema funcionaram perfeitamente.




Momentos de Aprendizagem
Enquanto lidava com sua tarefa principal de editar mais de um quilômetro e meio de filme por dia, Murch percebeu um considerável benefício colateral — o treinamento fácil e em tempo real dos editores novatos — devido à fácil flexibilidade do Final Cut Pro.

“Eu pude dar a meus assistentes e estagiários partes do material bruto do filme e permitir que eles mesmos editassem algumas cenas, diz Murch. “Nós estabelecemos um tipo de sistema tutorial no qual organizávamos as filmagens diárias junto com minhas anotações sobre minhas opiniões a respeito do material. Depois, nos seus próprios laptops, eles seriam capazes de editar as cenas juntos e perceber como é editar material filmado por profissionais”. Foi a primeira vez que Murch foi capaz de atingir esse objetivo.

“Foi uma preocupação minha durante algum tempo: como a gente efetivamente treinaria a próxima geração de editores quando o equipamento é de capital intensivo é muito caro e definitivamente não é portátil, já que tanto as flatbeds como o Avid não o são. Isso cria uma situação em que fica embaraçoso dar a pessoas não treinadas acesso a esses equipamentos. Mas o Final Cut permite que a gente continue a trabalhar levando nosso equipamento junto, mesmo quando ele está sendo usado também por pessoas que estão começando a aprender a editar.




Uma luminosa evocação
Da descrição do Random House: “Cold Mountain’ de Charles Frazier é uma obra-prima que é ao mesmo tempo uma aventura empolgante, uma excitante história de amor e uma luminosa evocação de uma América desaparecida, com toda a sua selvageria, solidão e esplendor.” Leia um trecho (em inglês) desse livro ganhador do National Book Award, cortesia da Random House.



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