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Walter Murch
Adapting to Digital



Murch’s work space

Você utilizou a tecnologia de edição para colaborar com Minghella?

Com certeza, não olhamos para todos os detalhes juntos, mas para um número de cenas durante as filmagens, caso houvesse um problema com alguma coisa, eu ia até a locação levando um laptop e mostrava a ele os cortes. E explorávamos algumas outras coisas com as seqüências que estavam nas filmagens diárias no laptop.

Nós também gravávamos DVDs com o DVD Studio Pro. A cada dia, gravávamos e distribuíamos DVDs das filmagens diárias, não apenas para o Anthony, na locação a três horas de distância, mas para o produtor Sidney Pollack, a 8.000 milhas de distância, em Los Angeles. Todo mundo tinha uma biblioteca de tudo o que tinha sido filmado, organizada pela data em que tinha sido filmado, como ponto de referência.

Você editou um grande projeto com Final Cut Pro. Qual é a sua avaliação?

Certamente é um excelente produto, e acaba de ficar ainda melhor com Final Cut 4. Nós estávamos no maior limbo que se pode imaginar, 6 meses em um pais que há apenas 14 anos era solidamente uma parte do bloco soviético e ainda é um dos países mais pressionados de todos os países da Europa Oriental. E nós estávamos no meio disso tudo com quatro estações Power Mac G4 Final Cut, editando sem parar e sem nenhuma pane significativa em nenhuma das estações. Nós estávamos realmente muito confiantes no que estávamos fazendo e no software e hardware que nos prestavam apoio.

The Future

Minghella diz que ele começa a dirigir um filme quando escreve e escreve com a câmera na locação. É uma ligação de papéis ainda mais radical possibilitada pela tecnologia digital, já que qualquer um com um sistema robusto pode ser escritor, cameraman, diretor e editor?

Bem, com certeza. É só olhar para alguém como Robert Rodriguez, que faz exatamente isso. Mas isso é algo que sempre fez parte da indústria. Olhe para Charlie Chaplin, era exatamente o que ele fazia. O que realmente interessa é qual é o seu interesse e foco. Certamente as tecnologias digitais facilitam essa expansão de papéis, mas a falta de tecnologia digital nunca foi empecilho para ninguém que realmente estivesse interessado em ir atrás de algo.

“The cut is a kind of sacramental moment. When I was in grade school they made us write our essays in ink for the same reason. Pencil was too easy to erase.”

Lá nos anos 60, quando Francis Coppola, George Lucas e eu nos formamos na escola de cinema, olhamos para o mercado e vimos que tudo estava completamente compartimentalizado. Nós não gostávamos disso. Na escola de cinema você é forçado pela natureza da escola e da forma como ensina a se envolver em todos os aspectos da realização de um filme. Por isso, criamos a American Zoetrope para ser uma versão profissional da forma que fazíamos filmes na escola de cinema. As coisas ainda não tinham sido digitalizadas, mas estavam certamente sendo miniaturizadas, e nós fomos energizados pelo impacto do circuito integrado e do transistor.

A escola de cinema foi uma incubadora de mudança para vocês, mas o “filme” é visto por muitos dos proponentes digitais como uma espécie em extinção.

Ele vai desaparecer, eu acho. Você já pode ver isso acontecendo. Não aconteceu no caso de “Cold Mountain.” Nós filmamos em película por diversas razões, uma delas é o fato de que em alguns pontos teríamos 13 câmeras filmando simultaneamente. Não seria possível na Romênia ter 13 câmeras digitais 24p filmando simultaneamente.

Mas nós fizemos um intermediário digital nesse filme. O filme inteiro foi escaneado, nós temos um pedaço do filme que é nosso negativo, que foi realizado através de um processo digital, e todo cálculo de tempo e balanceamento de cor foram realizados digitalmente.

Você acha que os novos editores estão perdendo alguma coisa ao aprender em sistemas de edição não-lineares em substituição aos sistemas antigos, ou isso é apenas nostalgia dos editores mais antigos?

Eu acho que existem apenas duas áreas onde realmente há algo faltando. Quando você tem que cortar o filme de verdade, você naturalmente tende a pensar muito mais no que vai fazer. O que — na proporção certa — é uma boa coisa a fazer. O corte é uma espécie de momento sagrado. Quando eu estava na escola, eles nos faziam escrever redações à tinta pela mesma razão. O lápis era fácil demais de apagar.

A outra vantagem “que falta” à edição linear é a integração natural de ter de escanear repetidamente rolos de filme para encontrar a tomada desejada. Inevitavelmente, antes de chegar lá, você encontrou algo melhor do que o que tinha em mente. Com acesso aleatório, você encontra imediatamente o que você quer. Que pode não ser o que você precisa.

Você utiliza a tecnologia, mas ainda usa os cartões de índice para criar o um quadro de cena (scene —board) para um projeto. Eles algum dia serão incluídos por você em um software de ferramenta de visualização?

Eu na verdade experimentei uma versão desse software no meu filme anterior, “K-19.” Mas voltei a fazer tudo à mão, com cartões de índice, anotações em post-it e permanentes por que parece haver algo de essencial em fazer à mão algumas coisas. No meu caso, certamente é verdade. Eu adoro encontrar o equilíbrio certo entre a alta tecnologia e a antiga.



Pro/Film

Walter Murch
1. Uma entrevista com o editor de “Cold Mountain”
2. Meta Estratégias na Edição
3. O peso das Imagens
4. Adaptação ao Digital



Digital Film Tree logo

Walter Murch na DigitalFilm Tree
DigitalFilm Tree, a companhia de pós-produção a ser consultada em Hollywood por cineastas interessados no Final Cut Pro, não apenas projetou e instalou os sistemas Final Cut para “Cold Mountain,”, mas forneceu suporte a Walter Murch e toda a sua equipe durante todo o processo de edição. Como é que foi trabalhar com uma lenda de Hollywood?

“A coisa mais impressionante sobre Walter é que, mesmo sendo um gigante da indústria, ele é muito ponderado e tem os pés no chão.” “Ele calçava tênis” diz Katrib, que, junto com sua equipe, calejada pelo estrelismo de Hollywood, obviamente esperava alguém “vestindo sandálias aladas”.

Igualmente impressionante foi o conhecimento e a familiaridade de Murch com a tecnologia. “Ele sempre perguntava coisas muito pertinentes e ele e seu editor assistente, Sean Cullen, foram dos alunos mais rápidos que já tivemos.”

Murch ficou impressionado pelas respostas inteligentes às suas perguntas. A “DigitalFilm Tree e Ramy Katrib foram absolutamente fundamentais tanto em nos encorajar nos estágios iniciais a acreditar que era uma idéia factível e ao recomendar o melhor e mais confiável sistema e fluxo de trabalho a ser usado, considerando o meu jeito de trabalhar e o tipo de filme que seria feito”, diz Murch.

A DigitalFilm Tree também reuniu os recursos críticos de fluxo de trabalho. “Nós criamos uma rede global de consultores e parceiros de tecnologia, como Aurora Video Systems, para acompanhar 'Cold Mountain',” diz Zed Saeed, consultor sênior de pós-produção na DFT.

Para Katrib, que começou seu escritório de pós-produção e design no seu quarto há quatro anos, a adoção do Final Cut Pro por Murch equivale a total credibilidade do mercado, e Katrib já esta tendo que responder a muitas prospecções de estúdios e de editores. “Quando Walter corajosamente decidiu usar o Final Cut em ‘Cold Mountain,’ nós ficamos impressionados. Sabíamos que a história estava sendo feita.”




Mais histórias
Leia mais sobre o fluxo de trabalho de pós-produção baseado no Final Cut usado em “Cold Mountain” em:

Final Cutting Cold Mountain
— Millimeter
Cold Mountain’s Final Cut
— Post Magazine



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